Casal relata que foi impedido de se vacinar com camisa contra Bolsonaro em quartel dos Bombeiros no Rio

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Por Raoni Alves, G1 Rio

12/07/2021 22h38  Atualizado há 11 horas

Casal conta que foi impedido de se vacinar com camisas contra Bolsonaro na Zona Oeste do Rio — Foto: Arquivo Pessoal

O professor de história, Luiz Carlos e sua esposa, Dirlene Barros de Oliveira, também professora, contaram que foram impedidos de receberem a segunda dose da vacina contra a Covid-19 em um quartel do Corpo de Bombeiros por estarem vestindo camisetas contra o governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). A corporação disse que vai abrir uma sindicância para apurar os fatos.

Os dois professores só puderam receber a vacina depois de serem obrigados a trocar de roupa. Segundo Luiz Carlos, eles estavam na fila do posto de vacinação dentro do quartel dos Bombeiros, na Avenida Ayrton Senna, na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio, quando foram abordados por um militar que, por ordem do comando, disse que eles não poderiam ser imunizados com manifestações contra o governo Bolsonaro. A reportagem foi publicada primeiro pelo Jornal O Dia.

“O soldado nos abordou com certo constrangimento e disse que o comando não está permitindo vacinar ninguém com camisas e cartazes com mensagens políticas. Ele foi muito educado e ofereceu um banheiro para que fosse feita a troca das camisas”, contou Luiz Carlos.

O professor disse que colocou sua camisa ao contrário ali mesmo na fila e sua esposa, que estava com outra blusa por baixo, apenas retirou a camisa com as palavras de protesto.

Luiz Carlos ainda teria dito ao soldado que a atitude era ilegal. Ele disse ainda que o soldado alegou que caso eles decidissem se vacinar com as camisas, o comandante da unidade poderia manter o soldado preso por até 30 dias.

“É uma decisão autoritária, que não tem sustentação nenhuma. Eles avisaram que se alguém visse algum tipo de manifestação política no momento da vacinação, o soldado que estivesse ali poderia ser preso por até 30 dias. Todos falavam a mesma coisa e aparentavam ter muito medo”, relatou o professor.

Ainda de acordo com os relatos do casal, outro militar orientou que os dois não fizessem fotos na calçada da unidade militar com as camisas de protesto.

“Já fora das dependências do quartel, a minha esposa quis tirar uma foto já com as camisas do lado normal. Mas um bombeiro que estava do lado de fora disse para que a gente tirasse a foto do outro lado da rua, porque ali também era área militar e daria problema para ele”, completou.

Protesto na primeira dose

Na opinião de Luiz Carlos, essa determinação contra os protestos só surgiu agora por conta da queda de popularidade do Governo Federal. O professor lembrou que em abril, quando recebeu a primeira dose da vacina, foi com uma outra camisa contra o governo e não teve problema para receber o imunizante.

“Quando eu tomei a primeira dose, com a minha mulher, no mesmo quartel, com as mesmas pessoas, não tivemos problemas. Como a aprovação do governo era boa, não teve problema nenhum. É muito sintomático o que está acontecendo. É uma tentativa de criar um tipo de censura das pessoas que querem se manifestar contra o que o governo ta fazendo”.

“Eu acho ruim é que fica misturando uma instituição de estado com uma questão política. No momento que o Governo Federal está bastante fragilizado, faz um procedimento para limitar e impedir a liberdade de expressão daqueles que se opõe, que é um direito nosso”, concluiu Luiz Carlos.

 

O que dizem os envolvidos

 

Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro informou que repudia a atitude contra qualquer tipo de manifestação, desde que pacífica, no ato da vacinação. Segundo eles, os pontos de vacinação do Corpo de Bombeiros são de administração do Governo do Estado.

“A SMS-Rio já aplicou mais de 4,6 milhões de doses de vacinas contra covid-19 e, até o momento, não há qualquer tipo de queixa ou registro de censura em suas unidades, e trabalhará para que atitudes como essa nunca aconteçam”.

Já o secretário de Estado de Defesa Civil e comandante-geral do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro (CBMERJ), coronel Leandro Monteiro, disse que é a favor da liberdade de expressão e garante que o fato ocorrido no Grupamento de Busca e Salvamento (GBS), na Barra da Tijuca, foi isolado. A corporação disse ainda que vai abrir uma sindicância para apurar os fatos.

“O CBMERJ lamenta o ocorrido e reitera que não existe uma determinação oficial do comando da corporação que proíba este tipo de manifestação por parte de civis em nenhum dos quartéis que abriram as portas para a vacinação”.

“O Corpo de Bombeiros RJ reforça a importância da imunização contra a Covid-19 e informa que já vacinou mais de 78 mil cidadãos fluminenses. Desde o dia 18 de março, a corporação disponibilizou três unidades em apoio à campanha de enfrentamento à pandemia”.

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